INTRODUÇÃO. Uma das declarações mais surpreendentes feitas por nosso Senhor é que é muito difícil um rico entrar no reino de Deus. Havia predomínio entre os judeus daqueles tempos a ideia de que riquezas eram um sinal do favor especial de Deus. Em nossos dias valoriza-se mais o ter do que o ser, e isso também no meio cristão. Mas vamos observar que os ensinos de Jesus e dos apóstolos são contrários a essa ideia.

I. O DINHEIRO, BENS E POSSES NAS PERSPECTIVAS SECULAR E CRISTÃ. Na cultura secular bens, posses e  dinheiro sobrepõem a realidade espiritual. a Bíblia identifica a busca insaciável e avarenta pelas riquezas como idolatria, a qual é demoníaca, Cl 3.5. Por causa da influência demoníaca associada a riqueza, a ambição por ela e a sua busca frequentemente escravizam as pessoas, Mt 6.24.  Transmitem um falso senso de segurança. Quase sempre os ricos vivem como quem não precisa de Deus. Na sua luta para acumular riquezas, os ricos sufocam  sua vida espiritual. Geralmente os ricos exploram os pobres, Tg 2.5,6. O cristão não deve, pois, ter a ambição de ficar rico, I Tm 6. 9-11.

II. DINHEIRO, BENS E POSSES NO JUDAÍSMO DO TEMPO DE JESUS.  Para os judeus a pobreza era um sinal de falta de fé e desagrado de Deus. Os fariseus, por exemplo, adotavam essa crença e escarneciam de Jesus por causa da sua pobreza, Lc 16.14. Tinham, portanto, as riquezas como privilégio  daqueles que gozavam favorecimento especial de Deus. Há, hoje em dia, verdadeiro culto à Mamom(ou mamonas=riquezas), não poucas denominações têm feito isso, e tudo em nome do “senhor”, um farisaísmo tão grande quanto o daqueles que zombavam do Mestre que não tinha riquezas, parecer nem formosura, Is 53.2.

III. DINHEIRO, BENS E POSSES NOS ENSINOS DE JESUS. As riquezas são, na perspectiva de Jesus, um obstáculo, tanto à salvação quanto ao discipulado, Mt 19.24. Essa sua perspectiva é repetida pelos apóstolos em várias epístolas. Sobre o que Jesus disse ao jovem rico para que vendesse tudo o que tinha e desse aos  pobres, isso foi a prova  para testar seu ponto mais fraco: suas riquezas. Não significa que os crentes devem vender tudo o que possuem e dar aos pobres, pois devemos atender às necessidades de nossa família. Devemos, sim é estar dispostos a abrir mão de tudo quanto Cristo pede da nossa parte. devemos nossa dedicação a Ele.

IV. DINHEIRO, BENS E POSSES NA MORDOMIA CRISTÃ. Quanto à atitude correta em relação a bens e seu futuro, o crente tem a obrigação de ser fiel, Lc 16.11. O cristão não deve apegar-se às riquezas como um tesouro ou garantia pessoal; pelo contrário, deve abrir mão delas, colocando-as nas mãos de Deus para uso no seu reino, promoção da causa de Cristo na terra, salvação dos perdidos e para atender às necessidades do próximo. Portanto, quem possui riquezas não deve  julgar-se rico em si, mas sim administrador dos bens de Deus.

CONCLUINDO. Os crentes que possuem bens, posses, devem ser generosos, prontos a ajudar o carente, e serem ricos em boas obras, I Tm 6. 17-19. Cada cristão deve examinar seu próprio coração e desejos: sou uma pessoa cobiçosa? Sou egoísta? Aflijo-me para ser rico? Tenho forte desejo de honrarias, prestígio, poder, posição, o que muitas vezes depende da posse de muita riqueza? Assim, riqueza para o crente não consiste em obter coisas desse mundo, pois já tem o reino de Deus, e isso já basta.