Neste momento, acham-se em circulação, pelas livrarias de todo o mundo, 130 milhões de títulos. Só no Brasil, são publicados todos os anos em torno de quatro milhões de obras entre lançamentos e reedições. Diante desses números, colhidos junto à indústria editorial, surgem algumas perguntas inevitáveis. A primeira delas tem a ver com os nossos limites biológicos. Quantos livros poderá alguém ler durante 70 ou 80 anos de vida?

Segundo o escritor argentino, Jorge Luís Borges (1899-1986), não mais de dois mil títulos. Levemos em conta que um bom leitor seja capaz de ler 40 livros anualmente. Se ele começou a ler aos 10 anos de idade, e tem uma expectativa de vida intelectualmente produtiva de 70, este será o seu placar: 2.400 obras catalogadas e lidas. Caso estas sejam bem selecionadas, tendo sempre a Bíblia Sagrada em primazia, o resultado será excelente. Doutra forma, haverá um irreparável desperdício de tempo, dinheiro e esforço intelectual.

Conforme explica o professor Gunar Berg de Andrade, há dois tipos de leitor: o de muito empenho e o de alto desempenho. O primeiro lê tudo o que lhe vem às mãos, sem nenhum critério. Já o segundo é seletivo, cuidadoso e exigente; limita-se aos melhores entre os melhores títulos. Para mais informações, assista a um vídeo clicando AQUI.

A segunda pergunta concerne à vida do próprio livro. Quantos títulos merecerão uma segunda edição? Neste reexame, formulemos uma questão de vital importância não somente para quem lê, mas principalmente para quem escreve. Afinal, o sonho do escritor é imortalizar-se no leitor. Por isso, a indagação faz-se imprescindível: Quantas obras far-se-ão clássicas e imortais?

É bem provável que, entre os 130 milhões de livros atualmente em circulação, não haja nenhum a merecer semelhante classificação. A maioria será descartada, boa parte não será lida até o fim, alguns terão uma sobrevida nalgum relicário ou sebo, e bem poucos irão para alguma biblioteca pública. Não falaremos daqueles que serão picotados e reciclados, para que outros nasçam e tornem-se best-sellers.

Em primeiro lugar, é necessário que se esclareça algo de fundamental importância no ciclo vital de um livro: nem todo clássico é imortal. Entretanto, todo imortal é um clássico. Vejamos, por exemplo, a Ilíada de Homero. Que o poeta grego é um clássico, não resta dúvida. Servindo de modelo a Virgílio (70-19 a.C.), veio a inspirar Camões (1524-1580). Hoje, porém, é uma obra tão morta quanto a língua na qual foi escrita. O poema, por conseguinte, só é evocado quando se requer um modelo perfeito de literatura, dicção e estilo. Curiosamente, as obras que Homero inspirou mais diretamente, a Eneida e os Lusíadas, tiveram igual destino: sobrevivem como modelo, mas já não vivem a moldar vidas. Jazem como a estatuária clássica e renascentista. Só as buscamos em caso de necessidade estética.

Há obras, contudo, que além de clássicas, são imortais. Entre elas, destaco O Peregrino de John Bunyan (1628-1688). Este livro não é apenas um modelo de parábola bem narrada, mas uma moldagem de vidas santificadas a Deus. Já o li duas vezes. Se na primeira, eu era um adolescente irrequieto e crítico, na segunda, já adulto, enfrentava uma crise espiritual. À semelhança do cristão, precisava recorrer com urgência a um livro que, além de clássico e imortal, fosse eterno.

O Peregrino remeteu-me de imediato ao livro que, embora escrito há mais de três milênios, é tão contemporâneo hoje quanto nos dias do Antigo e do Novo Testamentos.

A Bíblia Sagrada é um livro sem igual; é a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. Não podemos ignorá-la, pois dela alimenta-se a alma sedenta e forasteira. É um livro que, desde o início, surpreende-nos com suas declarações. Que outro livro começa de forma tão surpreendente e verdadeira: “No princípio, criou Deus os céus e a terra”? Não é sem razão que já foram impressos aproximadamente quatro bilhões de exemplares das Sagradas Escrituras.

Portanto, recreemo-nos com a Bíblia.

Leiamo-la todos os dias.

Todos os livros passarão. Ela não: é eterna e contemporânea de todas as épocas.

Fonte: CPADnews