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Por Camila Rego.

Um assunto vinha tirando o meu sono durante a semana passada inteira, procurei estruturar da melhor maneira que pude mas não ficou muito melhor que isso: Algumas pessoas, e não é de hoje, criaram esse costume mesmo muito estranho de conferir atributos a Deus. Mas não adjetivos que são nossos velhos conhecidos como ‘’maravilhoso, glorioso, justo e santo, vitorioso, vencedor em tudo é triunfante… ’’ Falo de criar um personagem no subconsciente que atenda as nossas expectativas, um fantoche. Aquela velha história que todos nós já ouvimos de testa-lo.

 
Não se preocupem isso não vai virar um texto filosófico chato, tipo aqueles que nós somos obrigados a ler na escola. Porque por favor, a maioria deles é chato mesmo e eu sou a primeira a admitir. O que quero dizer é que atributos humanos são antes de tudo acidentais ou essenciais. Mas os atributos humanos não se encaixam quando nos referirmos a Deus. A Perfeição, o Amor, a Justiça Dele são imensuráveis, é difícil até imaginar… O que acontece muitas vezes quando tentamos medir o imensurável é que ‘’perde-se ‘’ parte do conteúdo total a ser expresso.

 
Não, eu não acho errado usar aquela lista de adjetivos acima para nos referirmos a Ele. Afinal, estamos usando os melhores adjetivos que temos disponíveis para atribuir características na nossa língua para adora-Lo. Isso é entregar nosso melhor para quem o merece; mas é preciso sempre lembrar que elas ainda são muitíssimo pouco, Deus é ainda muito mais grandioso do
que podemos cogitar imaginar. ‘’Quando os intelectos tentam contemplar a essência de Deus, suas capacidades tornam-se incapacidades… ’’ Disse Moisés Maimônides.

 
Os que se esquecem disso tendem a imaginar que o nosso Senhor é apenas o ultimo recurso em momentos quaisquer de aflição ou dor, simplesmente uma fonte inesgotável de perdão que não requer nenhum tipo de comprometimento. Isso é completamente fora do pensamento cristão. Dica literária: Leiam o poema ‘’A Jesus cristo, nosso Senhor’’ de Gregório de Matos.

 

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‘’Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Antes, quanto mais tenho delinquido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,

A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida já cobrada,

Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História:

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,

Cobrai-a; e não queirais, Pastor Divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.’’

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E isso foi escrito séculos atrás. Não se parece muito com a situação de muitos atualmente? O pecado vai pouco a pouco retirando a sensibilidade do ser humano. Vai afastando a criatura do Criador, o Pai do filho, o amigo dependente do Amigo ideal.

 
Deus é perfeito. Num grau de perfeição humanamente difícil de assimilar. Ele não é obrigado a nos dizer que sim. Aliás, Ele pode até não falar conosco. Muitas vezes Sua voz se cala, quando está trabalhando ou nos ensinando. Se voltássemos a atribuir características humanas a Deus não estaríamos fazendo algo ao menos um pouco parecido como o que os gregos antigos
faziam? Nós somos semelhantes a Ele e não o contrário. Deus sem mim ainda está sentando em um trono glorioso, eu sem ele seria pó.

 
Parem e reflitam: Qual é o papel que Deus desempenha hoje na minha vida? Será que eu tenho o adorado como o único e suficiente Salvador da minha vida, número um na minha lista de prioridades ou eu o reduzi subconscientemente a um ponto de apoio temporário para o qual eu posso voltar toda vez que as ondas agitadas do mundo ficarem mais intensas do que eu acho que posso suportar? Como Ele é completo, não aceita adoração pela metade. Seu Amor e justiça são eternos, então Ele não conhece ‘’adoradores sazonais’’.

 
Desculpem-me se esse texto pareceu mais denso que o anterior, mas dessa vez foi difícil de segurar. Até Jesus foi tentado a colocar a prova seu próprio Pai aqui na Terra. E isso Ele não fez, lembrou-se do que estava escrito nas Escrituras. (Mateus 04:05). Então, se está escrito na Palavra a atitude do nosso maior exemplo na fé, eu não tenho mais nada a acrescentar nesse texto. Melhor parar antes que chegue a página 3…

 
—- Boa Semana pessoal! Fiquem com Deus!